Educação Parental

Actualmente, o crescente distanciamento relacional, com traços cada vez mais destrutivos (e violentos!), entre crianças, jovens ou adultos — sejam eles filhos ou pais, alunos ou professores, ou mesmo entre colegas e amigos — justifica a pertinência de uma intervenção célere e conscienciosa no âmbito da cultura educacional dos pais, à qual a Psicologia não está alheia. Esta clivagem, vista ou suspeitada, entre pais e filhos, torna-se cada vez mais profunda e com menores hipóteses de retrocesso porque, na maior parte dos casos, as opções dos caminhos tomados foram decididas, ou desatentamente, ou irreflectidamente, ou porque se tomaram trilhos demasiado confusos para se encontrar a passagem de volta, ou porque se perdeu a auto-confiança na paternidade e maternidade, ou porque, simplesmente, não se teve tempo.
A Educação Parental assume-se, desta forma, como um importante apoio no redireccionamento comportamental da família e uma valiosa ajuda na descoberta da possibilidade de caminhos mais equilibrados entre pais e filhos. Os seus principais objectivos passam, sobretudo, pela prevenção de comportamentos — afectiva e socialmente — disfuncionais nas crianças e jovens e pela promoção de competências que ajudem os pais na criação de um vínculo emocional basilar e essencial com os seus filhos.
A Educação Parental oferece, ainda, uma ajuda compreensiva e transformacional para o (re)surgir de um aumento na qualidade das relações familiares e, consequentemente, de uma melhoria dos aspectos emocionais e cognitivos das crianças. Porque, de facto, sem uma boa envolvente familiar e sem relações de afecto, organizadoras e securizantes, o crescimento, o desenvolvimento e a maturação das crianças podem ficar, irremediavelmente, condicionados — perante um futuro que, por direito, deveria ser, para elas, tão somente, de felicidade.