Mudar

A busca de compreensão de certos comportamentos transporta-nos sempre para o tempo distante da infância: o percurso do nosso desenvolvimento contém a história do que somos e encerra os porquês daquilo em que nos tornámos. No entanto, é quase sempre doloroso abrir a porta do nosso interior e avançar para trás, no tempo, afastando o pó residual daquilo que nos povoa, para melhor podermos entender as pessoas e os acontecimentos que nos foram marcando.
Esta procura acerca de nós mesmos não é fácil, apesar de sabermos que só o entendimento e a aceitação das coisas permitem a mudança do que está mal e do que nos dói, profundamente.

Por outro lado, a mudança, dentro e para fora de nós, pode ser um processo inquietante, porque revolve o nosso interior e altera o nosso exterior, criando a possibilidade de um espaço imprevisível, o que gera, na maior parte das vezes, resistências, pelo intrínseco receio perante o desconhecido ou perante a insegurança que uma nova ordem das coisas pode trazer.
Mas no decurso vivencial de cada pessoa, as dificuldades ou os erros devem ser reconhecidos e identificados, servindo de aprendizagem e funcionando como agentes de transformação. Porque, para se estar bem, alterando o que não está, o auto-conhecimento é importante e o desejo de mudar é fundamental.