O Sonho e o Sonhar

O SONHO E O SONHAR

Foi Freud quem primeiro teorizou sobre a temática dos sonhos, salientando a importância da vida psíquica e dos processos não conscientes inerentes ao estado vigil. No decorrer do século passado, novos autores e novas teorias foram trazendo mais luz e entendimento acerca dos processos mentais e, nesta senda, o sonho e o sonhar firmaram, em definitivo, a sua relevância para a compreensão psicológica.

Hoje, sabe-se que existe uma profunda analogia entre o que se sonha e tudo o que se vive quando se está acordado. Através do sonho recupera-se vivências ou elementos de fraca intensidade que, exactamente por isso, foram esquecidos; ou resgata-se, ainda, outros elementos que, pelo seu intenso teor, e por poderem ser geradores de conflitos, são banidos da consciência. Há, portanto, no sonho, uma comunicação entre o consciente e o inconsciente ao retomar-se, da vida vigil, o que ficou esquecido, ou o que não se pôde memorizar, num jogo de associações entre vivências presentes ou passadas e memórias antigas e recentes.

Ao sonho, como forma de pensamento, liga-se a tendência para elaborar e, consequentemente, a capacidade de transformar — transformar os restos, os excedentes diurnos e as experiências mais ou menos dolorosas (que ocupam espaço interior e retiram energia) — impedindo, assim, debilitar em demasia o funcionamento mental. Porque o sonho, para além de ser uma importante actividade psíquica é, fundamentalmente, uma experiência emocional.